terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Carnaval de Jaguaruana - um pouco de história I



O carnaval é uma celebração cultural por excelência.
É também, para Roberto da Matta, um tempo de inversão.

É por fim, uma festa para todos.

Quando Manezinho Barbosa decidiu realizar o primeiro carnaval de rua da cidade de Jaguaruana em 1986, foi duramente criticado e questionado, a partir de razões que, já naquela época, preocupava-se com a segurança e com a qualidade da festa (temas mais que atuais quando grande população de uma cidade se mobiliza para saber quais são as bandas que tocarão na festa e como será a estrutura oferecida aos moradores e visitantes da cidade durante esse período).

O fato é que a partir desse ano, em Jaguaruana, o carnaval tornou-se uma festa para o povo, de fato.

Ao que me consta, os clubes da cidade (Clube do Povo, JATEC – Jaguaruana Tênis Clube e 26 de Julho) ainda fizeram seus carnavais pelo menos até os fins dos anos 1980, mas logo a folia rendeu-se à majestade das ruas e a pequenina Jaguaruana, foi aos poucos tornando-se referência para nossos vizinhos de Russas e Palhano, além é claro dos amigos e parentes de Fortaleza, que até 2002 não tinha carnaval de rua.

Jaguaruana, sempre à sombra de Aracati, que durante anos foi o maior carnaval do interior do Estado, nunca fez feio. Enquanto muita gente se planejava durante meses para alugar uma casa na cidade vizinha e ver, por lá as atrações nacionais que se apresentavam naquela cidade, nossos visitantes, eu mesmo, muitos amigos e conhecidos aproveitávamos as marchinhas e frevos executados pela banda do Paulo do Azul – o famoso Espaço Livre e pela super Banda Meteoro, com o vocal inconfundível do Erialdo.

Só durante os anos 2000 foi que começaram aparecer algumas bandas de maior repercussão, principalmente artistas conhecidos no meio forrezeiro e sertanejo que durante o reinado de Momo fazem uma versão elétrica de seus repertórios, adequando-se ao ritmo carnavalesco. Antes disso, eram os músicos de Jaguaruana, reunidos em uma ou no máximo duas bandas que faziam a festa inteira (circuito completo: rio, mela-mela e noite).

E sabe quem ajudava no processo de organização e crescimento da festa? Os blocos carnavalescos da cidade. Cada bloco da cidade tinha sua história, trajeto a ser feito, animação própria e fazia toda a diferença na folia da cidade.

Mas isso eu conto em outro texto!

Bom carnaval.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

As eleições na cidade de Jaguaruana – entre os candidatos e seus eleitores

Não. Esse texto não é sobre o barulho das motos e dos carros de som, os fogos, as histórias de viradas, os insultos de palanque, os afetos e desafetos que a disputa entre os eleitores de Ana Teresa e Roberto da Viúva tem protagonizado nesses dias que se encerram nessa quinta-feira com os últimos movimentos públicos das campanhas eleitorais. Digo públicos, porque quem conhece a política feita em nossas cidades do interior do Ceará (acho que poderia ser do país inteiro, não?), sabe que a campanha só acaba mesmo quando os ponteiros do relógio virar 17:01 h no próximo domingo.


O que gostaria de falar mesmo é sobre o perfil dos (as) candidatos (as) à Câmara Municipal de nossa cidade e sua relação com o perfil dos eleitores da nossa cidade.


Apenas uma visita despretensiosa no site do Tribunal Superior Eleitoral, na aba http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/estatisticas-eleitorais-2016/candidaturas nos deu a chance de conhecer um retrato interessante desses cenários. Os homens e mulheres que dispuseram seus nomes para o processo eleitoral tem um rosto, um projeto, desejos e discursos que todos deveriam conhecer e assim poder escolher com maior consciência.


No site http://vereador2016.com/candidatos-a-vereador-2016/jaguaruana-ce podemos ver outras questões mais específicas da campanha como o patrimônio dos (as) candidatos (as), suas propostas, filiações partidárias, doadores e as respectivas doações recebidas para a campanha e até mesmo as despesas feitas durante o pleito. Isso caracteriza a transparência necessária do processo e a disponibilidade dos candidatos (as), que ao informar tais questões, respeitam a lei e já iniciam suas vidas públicas inspirando conformidade com o desejo do povo.


Jaguaruana tem 49 candidatos (as) à Câmara Municipal. São 35 homens e 14 mulheres. Destes, 44 declaram-se brancos, quanto à cor da pele e outros 5, declaram-se pardos. 24 informaram ser solteiros e 23 são casados. Há ainda um (a) candidato (a) que é viúvo (a) e um que declarou ser divorciado (a).


A maioria dos candidatos (26) tem mais de 40 anos de idade. A candidata mais jovem tem 25 anos e o candidato de maior trajetória de vida conta 70 anos.


E o que fazem nossos (as) candidatos (as)? A maioria já é vereador (a) atualmente e assim se declararam. São 12 no total. Outros 8 declararam ser agricultores (as). Temos ainda 3 advogados (as), 3 comerciantes, 3 empresários (as), 3 professores (as), 2 motoristas, 2 estudantes, 2 gerentes de estabelecimento comercial ou indústria, um líder religioso, um técnico em contabilidade, um diretor escolar, uma administradora, um gari, e uma dona de casa. Quatro candidatos declararam ter outra atividade que não foi identificada.


Sobre o grau de instrução dos candidatos, o site do TSE mostra que a maioria deles (as) tem o ensino médio completo (20). Onze têm concluíram o nível superior, oito terminaram o ensino fundamental e seis não atingiram essa etapa educativa. Para finalizar, 4 candidatos (as) declararam apenas saber ler e escrever.


As leituras possíveis diante desses dados são inúmeras. Cada um de nós pode fazê-las como, se e da forma que quiser. Eu, em quatro breves parágrafos, a partir do meu lugar social de fala, peço licença a você leitor para fazer algumas.


A maioria dos eleitores da cidade são mulheres (51%). As candidaturas não correspondem a esse numerário e quando as urnas forem abertas é bem possível que os homens ainda sejam maioria na Câmara municipal.


Numa cidade cuja mestiçagem história começou ainda quando o Ceará tinha apenas os caminhos das boiadas, nenhum candidato (a) se reconheceu como negro (a).


A maior parcela do eleitorado (49,32%) está abaixo de 39 anos, sendo que a maioria dos eleitores concentra-se na faixa dos 30 a 34 anos. Como se dá a identificação dos jovens da cidade com a maioria de candidatos pertencendo a uma geração diferente?


Por fim, o mais interessante pode ser observado quando decidimos estudar o grau de instrução do eleitorado. Apenas 321 eleitores da cidade de Jaguaruana têm nível superior completo. Obviamente que esse não poderia ser o grau de instrução da maioria de nossos eleitores (poderia sim...! sonho com isso), no entanto, se analisarmos o restante dos dados veremos que 11.070 eleitores são analfabetos (3.692) ou apenas declararam ler e escrever (7.378). Isso representa 39,14% dos votos válidos do município, ou seja, quase metade de nossos eleitores. Se juntarmos a esses números os (as) 6.916 eleitores (as) que declaram ter o ensino fundamental incompleto essa percentagem sobe para incríveis 63,59% do eleitorado.


Se você, querido (as) leitor (as) chegou até aqui, deve ter ficado tão impressionado quanto eu diante desses números. Resta-me apenas dizer uma única coisa: candidatos (as) (e agora podemos incluir também os concorrentes majoritários, aqueles que disputam a prefeitura), há muito o que fazer em nossa cidade. Eleitos (as) ou não, boa sorte e mãos à obra.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Mané? Sim!

Há tempos não escrevia um texto homenagem.
Não por necessidade, mas simplesmente pela correria dos dias, as pressões do trabalho que muitas vezes se tornam em opressões cotidianas. No entanto, sempre é bom parar. Refletir sobre o tempo, as pessoas, as coisas boas e ruins que acontecem, sobre a vida. E para que isso aconteça é preciso acontecer algo.
Uma das coisas que mais me chamam à reflexão é a morte. Embora ela seja parte de nossa trajetória, nunca estamos preparados para encarar tais perdas definitivas – principalmente de conhecidos e amigos, como só a morte é capaz de proporcionar. E isso aconteceu nessa semana. Soube da morte de Manuel Barbosa Rodrigues, Seu Manezinho.
Seu Manezinho foi vereador por dois mandatos e prefeito de Jaguaruana por três vezes. No momento de estruturação das cidades do Vale do Jaguaribe durante as décadas de 1980 e 1990, foi importante no processo de efetivação de uma estrutura mínima da cidade. Em seus governos dentre outras atividades calçamentou as ruas da cidade, construiu diversos grupos escolares e construiu casas populares. Enfrentou duas enchentes (1974 e 1985) e alguns anos secos. Embora tenha também perdido algumas eleições, seu papel na política partidária local é significativo: atualmente um de suas netas ocupa a chefia do executivo municipal.
No entanto, para mim, nada disso é muito importante. Embora tenha conhecido e convivido com Seu Manezinho justamente por causa desses caminhos políticos (ele prefeito e eu funcionário da prefeitura), meu reconhecimento a sua figura é por outras questões.
Talvez pouca gente saiba, mas Manezinho foi caminhoneiro e, em outros tempos, negociava com o produto mais valioso da cidade em tempos passados: a rede. Foi pai de seis filhos e avô de pelo menos 14 netos; já tinha também alguns bisnetos; sentiu a dor de perder um filho num acidente automobilístico; viu a primeira esposa adoecer e morrer, entre outras coisas. Ou seja, tirando a política, Manezinho era igual a mim ou a você. Um humano cheio de virtudes e defeitos.
Era a maior autoridade civil do município à época, mas conservava uma simplicidade extrema que beirava a humildade no trato com as pessoas. Tudo bem que fosse implacável com alguns adversários. Mas a cadeira na calçada era uma mensagem de porta aberta para todos. Podia vir quem viesse, sempre tinha um lugar para sentar.
Contudo, a coisa que mais observei em Seu Manezinho foi a vontade que ele tinha de aprender. Nunca foi um homem catedrático. Dedo em riste, pronto para dar uma lição a alguém. Esse não era ele. Pelo contrário, ele estava pronto para ouvir. Qualquer um, inclusive eu, um rapazote atrevido que contava apenas 18 anos de idade quando trabalhei com ele.
Hoje eu me considero um bom “escutador”. É possível que tenha aprendido isso com Seu Manezinho.
Gratidão, meu amigo!
Você cumpriu sua missão. Agora é hora de seguir em paz!
Kamillo Karol Ribeiro e Silva

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Ducéu, há quatro anos...

Vou contar a vocês como eu me lembro do Padre Ducéu.

Há quatro anos, Jaguaruana perdia um dos seus filhos mais diletos.

Adormecia, nos braços do Pai celestial, o Mons. Raimundo de Sales Façanha, nosso querido Pe. Ducéu.

A idade, a doença e o tempo, num misto que sempre testa a força de nossa existência, fizeram de Ducéu mais um morador do campo celestial.

E foi triste, foi muito triste.

Pensava: - Eu perdi um amigo e a cidade perdeu seu pastor.

A caminhada do cemitério de volta pra casa, fez-me pensar o quão dolorosos foram aqueles passos e como eu deveria me lembrar de sua trajetória.

De lá para cá, passaram-se 4 anos e a memória não me deixou esquecer a marca de amor que Ducéu imprimiu em sua peregrinação terrestre e em seu ministério.

Em Jaguaruana, os que me conhecem, sabem o quanto sou admirador da vida do Mons. Ducéu. Não foi sua morte que tornou admirável. Pude acompanhá-lo, de perto, até pouco antes de sua partida definitiva, o que me deu a chance de perceber como o padre era incrivelmente sábio, sincero, apaixonado por seu ofício sacerdotal e humano. Isto mesmo, humano. Por isso, carregava uma série de defeitos que qualquer homem pode vir a desenvolver. E mesmo sendo seu devotado admirador, nunca me abstive de destacar tais características de sua imagem.

Mas não se trata disso.

Trata-se de ressaltar seus acertos e a forma apaixonada como ele exercia seu ministério. Trata-se de rememorar as inúmeras vezes que vi e ouvi o padre Duceú dizer que "faria tudo outra vez, se preciso fosse", como que se entoasse a canção de Gonzaguinha.

Ducéu tinha o gosto simples - e como isto faz falta. Era humilde até no caminhar. O carro, era popular. As roupas, simples, monocromáticas, amassadas, até manchadas, esperando pelo amor e carinho da Dona Fátima, que cuidava do seu guarda roupas. Nos últimos tempos, Lúcia, dona Ireuda e outros amigos ajudam nestas tarefas e muito mais.

Ducéu era sincero. Raça de víboras! Disse certa vez na sacristia da igreja; pouco se lembrarão para quem e porque. Outra vez, transcreveu num lugar muito especial, parte do Magnificat que preconiza Deus ser aquele que "destrona os poderosos e eleva os humildes" Lucas 1,25. E não demorou para aqueles que têm olhos verem que ele tinha razão.

Ducéu era missionário. Celebrar às 7h na matriz, às 9h no Borges, às 11h na Santa Luzia, às 15h no Gigui, às 17h no São José, às 19h na matriz. Tudo isso num único domingo. Era comum. Às vezes sozinho, às vezes na companhia do Sebastião, outras vezes com meu amigo João Michell, outro dia comigo, nos últimos dias, com Lúcia.

Ducéu faz falta. Mas sempre que o povo de Jaguaruana ouvir este nome, tenho certeza que o som reacenderá uma feliz lembrança que preencherá o espaço que o amigo deixou em nós. 

Mesmo afetados pela dor da perda, as memórias sobre o padré Ducéu, com certeza sempre virão acompanhadas de um sorriso.

É assim que me lembro do amigo Padre Ducéu.

E você, já pensou como gostaria de ser lembrado?

Obs.: Gostaria de me dirigir aos amigos e leitores que não concordam com minhas ideias. Por favor, ataquem a mim. Respeitem a memória do Ducéu. Ele nunca escreveu nem pediu a ninguém que escrevessem sobre ele. Faço isso porque o amo e o admiro. E tenho orgulho de dizer isso. Logo, se há alguém que merece críticas, este alguém sou eu.

Atenciosamente,

Kamillo Karol

quarta-feira, 19 de março de 2014

Carta aberta ao povo de Jaguaruana - sobre a destruição do patrimônio de nossa cidade



Hoje quero vos falar sobre a história de Diógenes. Nascido na cidade de Sinope, no ano de 404 a.C. foi um filósofo da Grécia Antiga. Os detalhes de sua vida são conhecidos através de inúmeras anedotas, reunidas por Diógenes Laércio na obra Vidas e Opiniões de Filósofos Eminentes.


Diógenes foi exilado de sua cidade natal e se mudou para Atenas, onde teria se tornado um discípulo de Antístenes, antigo pupilo de Sócrates. Tornou-se um mendigo que habitava as ruas de Atenas, fazendo da pobreza extrema uma virtude (teria Diógenes inspirado Francisco de Assis?). Rezam os inscritos que o homem teria vivido num grande barril, no lugar de uma casa, e perambulava pelas ruas carregando uma lamparina, durante o dia. Quando indagado sobre o que procurava, respondia: “- Procuro por um homem honesto, um homem de verdade.”


Diógenes denunciava os exageros da vida citadina grega e buscava difundir uma vida que fosse natural e não dependesse das luxúrias da civilização. Ostentar, em Diógenes era condenável. A felicidade encontrava-se na simplicidade. Suas histórias também inspiraram o mexicano Roberto Bolanos a criar o personagem Chesperrito, no Brasil conhecido como Chaves.


A busca por um homem de verdade de Diógenes, inspirou-me a escrever na manhã de hoje. Acompanhar a transformação da igreja católica de Jaguaruana num reduto de ostentação e valorização do aspecto material em detrimento da evangelização – que deveria ser a maior bandeira da igreja! – carrega-me ao entristecimento crônico, mais pela impossibilidade de nada fazer, que pela destruição do patrimônio propriamente dito.


Não está no vocabulário do Padre Raimundo Barbosa a palavra conservação. O padre já modificou em sua passagem pela cidade, as igrejas de Gigui, Lagoa Vermelha, Juazeiro e agora, o Presbitério da Matriz de Santana. O discurso, seja ele qual for, não justifica nenhuma destruição. Sejam bactérias, o preconceito histórico contra pobres ou mulheres ou seja para aumentar o tamanho do presbitério, a igreja são as pessoas, o povo de Deus. Definitivamente, do que adianta aumentar o espaço físico da igreja se os fiés estão diminuindo? Será que sou apenas eu, que de longe, estou entendendo as coisas desta forma? Há quatro anos, os movimentos cristãos católicos de nossa igreja têm se mostrado mais tímidos. Sim, a igreja está mais “rica”, porém sua missão de levar conforto aos mais pobres e necessitados não tem sido cumprida. Não sabemos do padre confessando um doente, levando a comunhão a um convalescente (papel dos ministros da eucaristia), realizando um ritual de exéquias (que se não fosse pelo Sr. Francisco, não sei quem faria), realizando missa comunitárias nas localidades sem igrejas. As festas dos padroeiros aumentaram – nas comunidades prósperas e diminuíram nas não tão prósperas assim.


Pelo contrário, os interesses do nosso líder católico é a mudança propriamente dita. Apenas. Mudar na intenção de dizer que mudou. O interesse é o mais espúrio possível: fui eu que fiz. Peço que reflitam: derrubar o presbitério foi apenas a gota d’água. E arrancar as árvores da casa paroquial? E fechar portas, para reabri-las numa mesma parede do antigo Cônego Agostinho?


Interrogo aos leitores deste texto, moradores da minha querida Jaguaruana: você se sente amparado pela igreja de Jaguaruana? Você se sente representado pelo seu vigário? Você acha, que quando precisar de uma palavra de fé, um acolhimento no momento difícil de sua vida ou na de um parente, o Pe. Raimundo Barbosa irá fazê-lo? Você, sinceramente, acredita nesta possibilidade?


Sei que serei apoiado por algumas poucas pessoas e criticado e insultado por uma grande maioria, incluído nesta lista o próprio Padre Raimundo. Mas quero deixar claro uma coisa: não tenha nada, absolutamente nada contra o padre. Repito, pois já disso isso: quando o padre está exercendo as ordens, no altar, paramentado, realizando o milagre da sagrada missa, o padre Raimundo é um filho especial de Cristo e por isso, tem todo o meu respeito. Todas as vezes que vou à Jaguaruana, participo das missas presididas por ele e recebo a comunhão de vossas mãos. Quem eu questiono é o homem, o administrador paroquial, que mesmo ainda sendo padre, tem como norte apenas suas ideias e de um pastor muito semelhante a ele, como homem – refiro-me a Dom José, bispo diocesano.


Sinceramente, nada posso fazer. Apenas escrever um texto como este, conversar com os amigos que vão me entender e lamentar pela minha terra natal, que agoniza e nada faz diante de ações tão aviltantes, que despreza a consciência e a memória coletiva de um povo.

No ano em que a campanha da fraternidade denuncia a exploração dos seres humanos e prega que devemos apenas ser escravos da Palavra, sinto tristeza do povo da minha cidade, que há cinco anos é vitima de uma opressão disfarçada de progresso.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Preferências

Minha poesia preferida é aquela que não se dá.
Se doa, se deixa ser devorada.
Se deixa ser digerida,
Permite-se virar alimento.

Meus versos preferidos são aqueles que se lançam
Se jogam, se precipitam,
Se deixam ser admirados,
Permitem-se virar conhecimento.

Meu poeta preferido é aquele que se mostra
Se faz, se põe diante da vida
Se deixar ser questionado
Permite-se virar um novo elemento.

Lucas Badaró

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

15 coisas que você precisa abandonar pra ser feliz



1. Desista da sua necessidade de estar sempre certo

Há tantos de nós que não podem suportar a ideia de estarem errados – querem ter sempre razão – mesmo correndo o risco de acabar com grandes relacionamentos ou causar estresse e dor, para nós e para os outros. E não vale a pena, mesmo. Sempre que você sentir essa necessidade “urgente” de começar uma briga sobre quem está certo e quem está errado, pergunte a si mesmo: “Eu prefiro estar certo ou ser gentil?” (Wayne Dyer) Que diferença fará? Seu ego é mesmo tão grande assim?

2. Desista da sua necessidade de controle

Estar disposto a abandonar a sua necessidade de estar sempre no controle de tudo o que acontece a você e ao seu redor – situações, eventos, pessoas, etc. Sendo eles entes queridos, colegas de trabalho ou apenas estranhos que você conheceu na rua – deixe que eles sejam. Deixe que tudo e todos sejam exatamente o que são e você verá como isso irá o fazer se sentir melhor.

“Ao abrir mão, tudo é feito. O mundo é ganho por quem se desapega, mas é necessário você tentar e tentar. O mundo está além da vitória.” Lao Tzu

3. Pare de culpar os outros

Desista desse desejo de culpar as outras pessoas pelo que você tem ou não, pelo que você sente ou deixa de sentir. Pare de abrir mão do seu poder e comece a se responsabilizar pela sua vida.

4. Abandone as conversinhas auto-destrutivas

Quantas pessoas estão se machucando por causa da sua mentalidade negativa, poluída e repetidamente derrotista? Não acredite em tudo o que a sua mente está te dizendo – especialmente, se é algo pessimista. Você é melhor do que isso.

“A mente é um instrumento soberbo, se usado corretamente. Usado de forma errada, contudo, torna-se muito destrutiva.” Eckhart Tolle

5. Deixe de lado as crenças limitadoras sobre quem você pode ou não ser, sobre o que é possível e o que é impossível. De agora em diante, não está mais permitido deixar que as suas crenças restritivas te deixem empacado no lugar errado. Abra as asas e voe!

“Uma crença não é uma ideia realizada pela mente, é uma ideia que segura a mente.” Elly Roselle

6. Pare de reclamar

Desista da sua necessidade constante de reclamar daquelas várias, várias, váaaarias coisas – pessoas, momentos, situações que te deixam infeliz ou depressivo. Ninguém pode te deixar infeliz, nenhuma situação pode te deixar triste ou na pior, a não ser que você permita. Não é a situação que libera esses sentimentos em você, mas como você escolhe encará-la. Nunca subestime o poder do pensamento positivo.

7. Esqueça o luxo de criticar

Desista do hábito de criticar coisas, eventos ou pessoas que são diferentes de você. Nós somos todos diferentes e, ainda assim, somos todos iguais. Todos nós queremos ser felizes, queremos amar e ser amados e ser sempre entendidos. Nós todos queremos algo e algo é desejado por todos nós.

8. Desista da sua necessidade de impressionar os outros

Pare de tentar tanto ser algo que você não é só para que os outros gostem de você. Não funciona dessa maneira. No momento em que você pára de tentar com tanto afinco ser algo que você não é, no instante em que você tira todas as máscaras e aceita quem realmente é, vai descobrir que as pessoas serão atraídas por você – sem esforço algum.

9. Abra mão da sua resistência à mudança

Mudar é bom. Mudar é o que vai te ajudar a ir de A a B. Mudar vai melhorar a sua vida e também as vidas de quem vive ao seu redor. Siga a sua felicidade, abrace a mudança – não resista a ela.

“Siga a sua felicidade e o mundo abrirá portas para você onde antes só havia paredes” Joseph Campbell

10. Esqueça os rótulos

Pare de rotular aquelas pessoas, coisas e situações que você não entende como se fossem esquisitas ou diferentes e tente abrir a sua mente, pouco a pouco. Mentes só funcionam quando abertas.

“A mais extrema forma da ignorância é quando você rejeita algo sobre o que você não sabe nada” Wayne Dyer

11. Abandone os seus medos

Medo é só uma ilusão, não existe – você que inventou. Está tudo em sua cabeça. Corrija o seu interior e, no exterior, as coisas vão se encaixar.

“A única coisa de que você deve ter medo é do próprio medo” Franklin D. Roosevelt

12. Desista de suas desculpas

Mande que arrumem as malas e diga que estão demitidas. Você não precisa mais delas. Muitas vezes nos limitamos por causa das muitas desculpas que usamos. Ao invés de crescer e trabalhar para melhorar a nós mesmos e nossas vidas, ficamos presos, mentindo para nós mesmos, usando todo tipo de desculpas – desculpas que, 99,9% das vezes, não são nem reais.

13. Deixe o passado no passado

Eu sei, eu sei. É difícil. Especialmente quando o passado parece bem melhor do que o presente e o futuro parece tão assustador, mas você tem que levar em consideração o fato de que o presente é tudo que você tem e tudo o que você vai ter. O passado que você está desejando – o passado com o qual você agora sonha – foi ignorado por você quando era presente. Pare de se iludir. Esteja presente em tudo que você faz e aproveite a vida. Afinal, a vida é uma viagem e não um destino. Enxergue o futuro com clareza, prepare-se, mas sempre esteja presente no agora.

14. Desapegue do apego

Este é um conceito que, para a maioria de nós é bem difícil de entender. E eu tenho que confessar que para mim também era – ainda é -, mas não é algo impossível. Você melhora a cada dia com tempo e prática. No momento em que você se desapegar de todas as coisas, (e isso não significa desistir do seu amor por elas – afinal, o amor e o apego não têm nada a ver um com o outro; o apego vem de um lugar de medo, enquanto o amor… bem, o verdadeiro amor é puro, gentil e altruísta, onde há amor não pode haver medo e, por causa disso, o apego e o amor não podem coexistir), você irá se acalmar e se virá a se tornar tolerante, amável e sereno… Você vai alcançar um estado que te permita compreender todas as coisas, sem sequer tentar. Um estado além das palavras.

15. Pare de viver a sua vida segundo as expectativas das outras pessoas

Pessoas demais estão vivendo uma vida que não é delas. Elas vivem suas vidas de acordo com o que outras pessoas pensam que é o melhor para elas, elas vivem as próprias vidas de acordo com o que os pais pensam que é o melhor para elas, ou o que seus amigos, inimigos, professores, o governo e até a mídia pensa que é o melhor para elas. Elas ignoram suas vozes interiores, suas intuições. Estão tão ocupadas agradando todo mundo, vivendo as suas expectativas, que perdem o controle das próprias vidas. Isso faz com que esqueçam o que as faz feliz, o que elas querem e o que precisam – e, um dia, esquecem também delas mesmas. Você tem a sua vida – essa vida agora – você deve vivê-la, dominá-la e, especialmente, não deixar que as opiniões dos outros te distraiam do seu caminho.

Via Share for The Future