segunda-feira, 15 de novembro de 2010

No dia 15 de novembro de 1889

Baile da Ilha Fiscal: o último da monarquia

Seis dias depois da festança, golpe derrubou dom Pedro II

por Érica Montenegro e Antonio Andrade

O vaivém dos convidados era constante. Eles desciam das barcas a vapor e eram recepcionados por moças fantasiadas de fadas e sereias. O tilintar das taças de bebida se misturava aos risos e à música. Nunca se havia visto no Brasil tanto luxo. Tudo havia sido planejado para tornar inesquecível o baile daIlha Fiscal, promovido por dom Pedro II no sábado, 9 de novembro de 1889. Aquela foi a última festado Império. Seis dias depois, o imperador seria deposto.

O evento, que reuniu mais de 2 000 pessoas, oficialmente homenageava o alto escalão do couraçado chileno Almirante Cochrane, ancorado no Rio de Janeiro havia duas semanas. Mas, na verdade, comemorava as bodas de prata da princesa Isabel e do conde D’Eu. Além disso, a intenção doimperador era provar que a monarquia seguia viva e forte – o que, aliás, estava longe de ser verdade.

Naquele novembro de 1889, enquanto as senhoras se preparavam para o rega-bofe, homens conspiravam em confeitarias. Durante a festa, o clima de rivalidade entre monarquistas e republicanos não se manifestou. Apesar do sucesso do baile, o imperador pouco se divertiu. Ficou sentado o tempo todo e foi embora à 1h da manhã, sem jantar. Forçado a deixar o país em 17 de novembro, morreu dois anos depois, em Paris.

A ilha da fantasia

Nunca houve tantoluxo no Brasil quanto nobaile da Ilha Fiscal
Bela vista do paraíso

Antes chamada Ilha dos Ratos (não se sabe se por conta da quantidade de roedores ou pelo formato das pedras ao seu redor), a Ilha Fiscal recebeu seu atual nome após ser transformada em posto de fiscalização de navios. O castelo, com 2 000 m2 em estilo neogótico, foi construído após uma visita de dom Pedro II à ilha – encantado com a vista, ele disse que ela era “como um delicado estojo, digno de uma brilhante jóia”. O baile foi o primeiro grande evento do palácio.

Caça aos convites

Originalmente, o baile seria em 19 de outubro, mas o rei de Portugal, dom Luiz, morreu, e seu sobrinho Pedro II mudou a data da festa. A distribuição dos 2 000 convites começou dia 4 de novembro. As roupas finas das lojas do Rio logo se esgotaram. Setenta e duas horas antes do baile já não havia vaga nos cabeleireiros. Muita mulher ficou três dias sem tomar banho e dormindo sentada para não desmanchar o penteado.

Tropeça mas não cai

Dom Pedro II chegou ao baile acompanhado da família real às 21h. O imperador trajava uma casaca preta folgada. A imperatriz Tereza Cristina e a princesa Isabel usavam vestidos pretos com rendas e vidrilhos. Quando entrava pelo tapete vermelho, o imperador tropeçou. Amparado por dois jornalistas, não chegou a cair. Espirituoso, teria dito: “A monarquia tropeçou, mas não caiu”.

Luxo e lixo

A elite se esbaldavana festa, enquanto o povo olhava de longe

A gente não quer só comida

Na festança foram consumidos 188 caixas de vinho, 80 caixas de champanhe e 10 mil litros de cerveja, além de licores e destilados. Segundo o historiador Milton Teixeira, o dinheiro gasto no baile, 100 contos de réis, foi retirado pelo visconde de Ouro Preto, presidente do conselho de ministros, do ministério da Viação e Obras Públicas – ele estaria originalmente destinado a socorrer flagelados da seca no Ceará.

Pés-de-valsa

Duas bandas militares tocaram quadrilhas, valsas, polcas e marzurcas para os convidados, que dançaram em seis salões do castelo – a princesa Isabel foi uma das pés-de-valsa. Depois da esbórnia, às 6h da manhã, o pessoal da limpeza achou 37 lenços, 24 cartolas e chapéus, 8 raminhos de corpete, 3 coletes de senhoras e 17 ligas. De acordo com o historiador Milton Teixeira, da Escola Técnica de Turismo do Rio de Janeiro (ProTur), todas as fotos feitas na festa desapareceram.

Bufê exótico

Quarenta e oito cozinheiros trabalharam durante três dias inteiros para alimentar os convivas, servidos por 150 copeiros. O cardápio incluía peças inteiras de caça e pesca, além de uma infinidade de aves exóticas, inhambus, faisões e macucos. Cinco mesas em forma de ferradura foram colocadas no pátio atrás do palácio para servir o jantar. O ponto alto da ceia foram os doces – entre eles sorvete, uma novidade para a época.

Povão excluído

Chiques e famosos embarcavam em três vapores que saíam do cais Pharoux, na atual praça XV de Novembro, centro do Rio. Uma banda da polícia animava a noite do povão, que não pôde participar da festança. Lá tocavam fandangos e lundus, danças populares bem diferentes das valsas que animavam o castelo. Nas casas à beira-mar, a população se acotovelava para ver as luzes da ilha.

Xixi no balde

Como suas fontes de inspiração na França, o projeto do palacete da Ilha Fiscal não contava com banheiros. Os convidados tinham apenas poucos baldes de prata com areia dentro para fazer xixi. Quando a cerveja começou a fazer efeito, os homens não se apertaram e correram para a beira do mar. Já as dondocas tiveram de se ajeitar com baldes extras trazidos às pressas do continente nos cantos dos salões.

A ilha-luz

A Ilha Fiscal contava com um gerador de energia, instalado num barracão ao lado do palacete, que forneceu eletricidade para milhares de lâmpadas dentro e fora do edifício. Além das milhares de velas, balões e lanternas venezianas, os holofotes do couraçado chileno Almirante Cochrane e de outros navios da Marinha ancorados ali perto faziam com que a ilha fosse o lugar “mais iluminado do mundo”, como escreveram os jornais da época.

E a República é proclamada

Militares armaramgolpe com apoio dosbarões do café

Enquanto a corte estava no pomposo rega-bofe, o tenente-coronel e professor de matemática Benjamin Constant encabeçava uma reunião conspiratória no Clube Militar. Ele era o líder da ala intelectualizada do Exército, os “científicos”, grupo que contrastava com o dos militares de carreira mais velhos, os “tarimbeiros”, ao qual pertencia o marechal Deodoro da Fonseca. Ambos estavam unidos num ressentimento contra o poder público, que deixara o Exército numa situação de penúria. Na reunião, decidiu-se pelo golpe militar, que veio em 15 de novembro de 1889. Entre os fatores importantes para seu sucesso estava o apoio da oligarquia cafeeira paulista. A Igreja Católica, descontente com a influência da maçonaria, ajudou a enfraquecer a imagem do imperador. O golpe ainda solucionou um debate antigo, que voltou à tona após um atentado a tiros sofrido peloimperador em 16 de julho de 1889: se Pedro II morresse, o trono ficaria à deriva – a princesa Isabel era impopular entre a elite e o conde D`Eu, estrangeiro. De acordo com Renato Lemos, professor deHistória na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ainda na noite do dia 9, após a reunião conspiratória, Constant chegou a tomar um barco para a Ilha Fiscal com a família, que queria ver o baile. Mas eles não desembarcaram porque estavam sem convites.

Saiba mais

Livro

Benjamin Constant – Vida e História, Renato Lemos, Topbooks, 1999 - Salões e Damas do Segundo Reinado, Wanderley Pinho, Martins Fontes Editora, 1968

Isso e muito mais em:
http://historia.abril.com.br/home/

Baile da Ilha Fiscal: o último da monarquia

Seis dias depois da festança, golpe derrubou dom Pedro II

por Érica Montenegro e Antonio Andrade

O vaivém dos convidados era constante. Eles desciam das barcas a vapor e eram recepcionados por moças fantasiadas de fadas e sereias. O tilintar das taças de bebida se misturava aos risos e à música. Nunca se havia visto no Brasil tanto luxo. Tudo havia sido planejado para tornar inesquecível o baile daIlha Fiscal, promovido por dom Pedro II no sábado, 9 de novembro de 1889. Aquela foi a última festado Império. Seis dias depois, o imperador seria deposto.

O evento, que reuniu mais de 2 000 pessoas, oficialmente homenageava o alto escalão do couraçado chileno Almirante Cochrane, ancorado no Rio de Janeiro havia duas semanas. Mas, na verdade, comemorava as bodas de prata da princesa Isabel e do conde D’Eu. Além disso, a intenção doimperador era provar que a monarquia seguia viva e forte – o que, aliás, estava longe de ser verdade.

Naquele novembro de 1889, enquanto as senhoras se preparavam para o rega-bofe, homens conspiravam em confeitarias. Durante a festa, o clima de rivalidade entre monarquistas e republicanos não se manifestou. Apesar do sucesso do baile, o imperador pouco se divertiu. Ficou sentado o tempo todo e foi embora à 1h da manhã, sem jantar. Forçado a deixar o país em 17 de novembro, morreu dois anos depois, em Paris.

A ilha da fantasia

Nunca houve tantoluxo no Brasil quanto nobaile da Ilha Fiscal

Bela vista do paraíso

Antes chamada Ilha dos Ratos (não se sabe se por conta da quantidade de roedores ou pelo formato das pedras ao seu redor), a Ilha Fiscal recebeu seu atual nome após ser transformada em posto de fiscalização de navios. O castelo, com 2 000 m2 em estilo neogótico, foi construído após uma visita de dom Pedro II à ilha – encantado com a vista, ele disse que ela era “como um delicado estojo, digno de uma brilhante jóia”. O baile foi o primeiro grande evento do palácio.

Caça aos convites

Originalmente, o baile seria em 19 de outubro, mas o rei de Portugal, dom Luiz, morreu, e seu sobrinho Pedro II mudou a data da festa. A distribuição dos 2 000 convites começou dia 4 de novembro. As roupas finas das lojas do Rio logo se esgotaram. Setenta e duas horas antes do baile já não havia vaga nos cabeleireiros. Muita mulher ficou três dias sem tomar banho e dormindo sentada para não desmanchar o penteado.

Tropeça mas não cai

Dom Pedro II chegou ao baile acompanhado da família real às 21h. O imperador trajava uma casaca preta folgada. A imperatriz Tereza Cristina e a princesa Isabel usavam vestidos pretos com rendas e vidrilhos. Quando entrava pelo tapete vermelho, o imperador tropeçou. Amparado por dois jornalistas, não chegou a cair. Espirituoso, teria dito: “A monarquia tropeçou, mas não caiu”.

Luxo e lixo

A elite se esbaldavana festa, enquanto o povo olhava de longe

A gente não quer só comida

Na festança foram consumidos 188 caixas de vinho, 80 caixas de champanhe e 10 mil litros de cerveja, além de licores e destilados. Segundo o historiador Milton Teixeira, o dinheiro gasto no baile, 100 contos de réis, foi retirado pelo visconde de Ouro Preto, presidente do conselho de ministros, do ministério da Viação e Obras Públicas – ele estaria originalmente destinado a socorrer flagelados da seca no Ceará.

Pés-de-valsa

Duas bandas militares tocaram quadrilhas, valsas, polcas e marzurcas para os convidados, que dançaram em seis salões do castelo – a princesa Isabel foi uma das pés-de-valsa. Depois da esbórnia, às 6h da manhã, o pessoal da limpeza achou 37 lenços, 24 cartolas e chapéus, 8 raminhos de corpete, 3 coletes de senhoras e 17 ligas. De acordo com o historiador Milton Teixeira, da Escola Técnica de Turismo do Rio de Janeiro (ProTur), todas as fotos feitas na festa desapareceram.

Bufê exótico

Quarenta e oito cozinheiros trabalharam durante três dias inteiros para alimentar os convivas, servidos por 150 copeiros. O cardápio incluía peças inteiras de caça e pesca, além de uma infinidade de aves exóticas, inhambus, faisões e macucos. Cinco mesas em forma de ferradura foram colocadas no pátio atrás do palácio para servir o jantar. O ponto alto da ceia foram os doces – entre eles sorvete, uma novidade para a época.

Povão excluído

Chiques e famosos embarcavam em três vapores que saíam do cais Pharoux, na atual praça XV de Novembro, centro do Rio. Uma banda da polícia animava a noite do povão, que não pôde participar da festança. Lá tocavam fandangos e lundus, danças populares bem diferentes das valsas que animavam o castelo. Nas casas à beira-mar, a população se acotovelava para ver as luzes da ilha.

Xixi no balde

Como suas fontes de inspiração na França, o projeto do palacete da Ilha Fiscal não contava com banheiros. Os convidados tinham apenas poucos baldes de prata com areia dentro para fazer xixi. Quando a cerveja começou a fazer efeito, os homens não se apertaram e correram para a beira do mar. Já as dondocas tiveram de se ajeitar com baldes extras trazidos às pressas do continente nos cantos dos salões.

A ilha-luz

A Ilha Fiscal contava com um gerador de energia, instalado num barracão ao lado do palacete, que forneceu eletricidade para milhares de lâmpadas dentro e fora do edifício. Além das milhares de velas, balões e lanternas venezianas, os holofotes do couraçado chileno Almirante Cochrane e de outros navios da Marinha ancorados ali perto faziam com que a ilha fosse o lugar “mais iluminado do mundo”, como escreveram os jornais da época.

E a República é proclamada

Militares armaramgolpe com apoio dosbarões do café

Enquanto a corte estava no pomposo rega-bofe, o tenente-coronel e professor de matemática Benjamin Constant encabeçava uma reunião conspiratória no Clube Militar. Ele era o líder da ala intelectualizada do Exército, os “científicos”, grupo que contrastava com o dos militares de carreira mais velhos, os “tarimbeiros”, ao qual pertencia o marechal Deodoro da Fonseca. Ambos estavam unidos num ressentimento contra o poder público, que deixara o Exército numa situação de penúria. Na reunião, decidiu-se pelo golpe militar, que veio em 15 de novembro de 1889. Entre os fatores importantes para seu sucesso estava o apoio da oligarquia cafeeira paulista. A Igreja Católica, descontente com a influência da maçonaria, ajudou a enfraquecer a imagem do imperador. O golpe ainda solucionou um debate antigo, que voltou à tona após um atentado a tiros sofrido peloimperador em 16 de julho de 1889: se Pedro II morresse, o trono ficaria à deriva – a princesa Isabel era impopular entre a elite e o conde D`Eu, estrangeiro. De acordo com Renato Lemos, professor deHistória na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ainda na noite do dia 9, após a reunião conspiratória, Constant chegou a tomar um barco para a Ilha Fiscal com a família, que queria ver o baile. Mas eles não desembarcaram porque estavam sem convites.

Saiba mais

Livro

Benjamin Constant – Vida e História, Renato Lemos, Topbooks, 1999 - Salões e Damas do Segundo Reinado, Wanderley Pinho, Martins Fontes Editora, 1968

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sábado, 13 de novembro de 2010

Coisas alemãs que não dariam certo no Brasil


Produtos no lado de fora das lojas
Na Alemanha é muito comum (no verão), os estabelecimentos colocarem vários produtos no lado de fora, sem segurança e nem controle. Você então pega o produto e vai até o caixa pagar... já imaginou aqui no Brasil? Seria um corre-corre danado, pra roubar as mercadorias.

Transporte sem ticket
Em muitos trens e ônibus não há controle de cartão de embarque: você entra no mesmo e, caso algum funcionário da empresa peça, você mostra seu passe. Caso você não tenha, deve pagar uma multa. Nós brasileiros iríamos nos esconder no banheiro, ou descer na próxima parada pra não pagar a multa...

Coelhos correndo livremente nas ruas
Em vez de cães, na Alemanha há coelhos nas ruas; em qualquer parque ou até nos pequenos gramados há muitos coelhos correndo livremente... e no Brasil, muitas pessoas apreciam carne de coelho... então... coitados dos pobres coelhinhos.

Multas para bicicletas
Como as bicicletas são muito utilizadas, há leis específicas para elas, como multas e obrigações para os ciclistas. E, pode confiar: policiais não aceitam suborno nessas situações. Coitados dos policiais se isso houvesse aqui no Brasil.

Todos ônibus possuem espaço para deficientes
Já imaginou, aqui no Brasil, um cadeirante tendo que pegar um ônibus lotado das 18h? Além de praticamente não haver esta possibilidade, não há nem espaço, e o povo não tem paciência. Além disso, o processo é muito demorado. Na Alemanha os ônibus se rebaixam, ficam da altura dos "meio-fios" e o cadeirante entra rapidamente.

Canetas que apagam
Outra coisa bacana que existe na Alemanha são as canetas que apagam. No Brasil sem dúvida elas seriam usadas da pior maneira, para alterar cheques por exemplo.

Horário certo para o ônibus em cada parada
Na Alemanha você sabe o horário exato no qual o ônibus passará na em cada ponto do ônibus. Já que não há congestionamentos e os ônibus não lotam (pois há muitas linhas), dificilmente os ônibus atrasam.

Isso e muito mais em: