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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Por que assistir Chico Xavier, o filme.



Saindo da criança cheia de birra que ainda habita em mim, que diria simplesmente "Porque sim!", sou capaz de enxergar vários motivos para justificar uma saída de casa, na segunda, à noite para assistir a maior bilheteria dos últimos tempos do cinema nacional.

Chico Xavier, filme de Daniel Filho, produção da Globo Filmes, O2, Estação da Luz e Lereby, tem o roteiro assinado por Marcos Bernstein, sendo o filme baseado na obra “As Vidas de Chico Xavier”, do jornalista Marcel Souto Maior.

As interpretações de NELSON XAVIER, que interpreta Chico Xavier entre os anos de 1969 a 1975; ÂNGELO ANTÔNIO que dá vida ao médium no processo de efetivação de sua prática espírita, no anos de 1931 a 1959 e do pequeno MATHEUS COSTA que faz Chico ainda menino, entre os anos de 1918 a 1922, nos conduzem numa linha temporal sobre a atuação da doutrina espírita no Brasil que vai do repúdio e condenação, passando pelo clamor e procura por causa do desespero até aos tempos da curiosidade e da admiração.

O filme é feito para isso: tornar a atuação de Chico Xavier no país, algo gigantesco, talvez maior do que o próprio espírita desejasse, ou mesmo contrário ao ensinamentos que a doutrina espírita apregoa. Na película, um pouco deste sentimento pode ser visto no próprio Chico quando demonstra parte de sua vaidade pessoal ao usar peruca, por conta de sua aparição na tv.

Sim, a importância da Televisão...

O filme se desenrola a partir da participação de Chico Xavier no programa Pinga-fogo, exibido ao vivo no dia 28 de julho de 1971, na extinta TV Tupi. Os vídeos que podem ser encontrados facilmente no you tube, mostram como Daniel Filho e sua equipe procuraram costurar ao roteiro do filme, as explicações dadas por Chico aos jornalistas da bancada sobre diversos temas espíritas como a reencarnação, a psicografia, as operações e tratamentos espirituais no sono, a cremação de corpos, entre outros.


Disse-me um amigo, espírita, que foi o programa de TV que deu projeção nacional para as atividades que Chico realizava em Uberaba. Estima-se que mais de 20 milhões de pessoas viram as explicações do médium naquela ocasião, o que fez a TV Tupi convidá-lo novamente para uma apresentação em 21 de dezembro de 1971, num especial de fim de ano.

Para mim, que não sou espírita, o filme só tem um defeito: reproduzir o caminho no qual se busca neste país a doutrina espírita com mais frequência: o caminho da dor. As personagens de Tony Ramos e Cristiane Torloni, Orlando e Glória, respectivamente, pais do jovem morto acidentalmente pelo colega, procuram conforto nas cartas psicografadas por Chico. Recebem mais que isso, é verdade, contudo minha crítica permanece.

O filme, talvez não intencionalmente, corrobora com ideia que tenho de que a maioria das pessoas procuram a doutrina espírita para obter respostas num momento de extrema dor, saudade, perda e tristeza. Pouco sei sobre a doutrina espírita, mas já compreendi que, além do que se procura na maioria das vezes, ela tem muito a dar.

Mesmo sendo católico por formação, ouso dizer que as pessoas precisam conhecer o ideal de mundo, de ser humano, de caridade e salvação que o espiritismo divulga desde sempre e principalmente após a codificação feita por Allan Kardeck, na segunda metade do século XIX.

Por fim, resta-me apenas dizer que sim, o filme vale cada centavo do ingresso.

Sobre as opiniões que declinei, gostaria de ler alguns comentários!

Forte abraço a todos os amigos!

Kamillo Silva