Não. Esse texto não é sobre o
barulho das motos e dos carros de som, os fogos, as histórias de viradas, os
insultos de palanque, os afetos e desafetos que a disputa entre os eleitores de
Ana Teresa e Roberto da Viúva tem protagonizado nesses dias que se encerram
nessa quinta-feira com os últimos movimentos públicos das campanhas eleitorais.
Digo públicos, porque quem conhece a política feita em nossas cidades do
interior do Ceará (acho que poderia ser do país inteiro, não?), sabe que a
campanha só acaba mesmo quando os ponteiros do relógio virar 17:01 h no próximo
domingo.
O que gostaria de falar mesmo é
sobre o perfil dos (as) candidatos (as) à Câmara Municipal de nossa cidade e
sua relação com o perfil dos eleitores da nossa cidade.
Apenas uma visita despretensiosa
no site do Tribunal Superior Eleitoral, na aba
http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/estatisticas-eleitorais-2016/candidaturas
nos deu a chance de conhecer um retrato interessante desses cenários. Os homens
e mulheres que dispuseram seus nomes para o processo eleitoral tem um rosto, um
projeto, desejos e discursos que todos deveriam conhecer e assim poder escolher
com maior consciência.
No site
http://vereador2016.com/candidatos-a-vereador-2016/jaguaruana-ce
podemos ver outras questões mais específicas da campanha como o patrimônio dos
(as) candidatos (as), suas propostas, filiações partidárias, doadores e as
respectivas doações recebidas para a campanha e até mesmo as despesas feitas
durante o pleito. Isso caracteriza a transparência necessária do processo e a
disponibilidade dos candidatos (as), que ao informar tais questões, respeitam a
lei e já iniciam suas vidas públicas inspirando conformidade com o desejo do
povo.
Jaguaruana tem 49 candidatos (as)
à Câmara Municipal. São 35 homens e 14 mulheres. Destes, 44 declaram-se
brancos, quanto à cor da pele e outros 5, declaram-se pardos. 24 informaram ser
solteiros e 23 são casados. Há ainda um (a) candidato (a) que é viúvo (a) e um
que declarou ser divorciado (a).
A maioria dos candidatos (26) tem mais de 40
anos de idade. A candidata mais jovem tem 25 anos e o candidato de maior
trajetória de vida conta 70 anos.
E o que fazem nossos (as) candidatos
(as)? A maioria já é vereador (a) atualmente e assim se declararam. São 12 no
total. Outros 8 declararam ser agricultores (as). Temos ainda 3 advogados (as),
3 comerciantes, 3 empresários (as), 3 professores (as), 2 motoristas, 2
estudantes, 2 gerentes de estabelecimento comercial ou indústria, um líder
religioso, um técnico em contabilidade, um diretor escolar, uma administradora,
um gari, e uma dona de casa. Quatro candidatos declararam ter outra atividade
que não foi identificada.
Sobre o grau de instrução dos
candidatos, o site do TSE mostra que a maioria deles (as) tem o ensino médio
completo (20). Onze têm concluíram o nível superior, oito terminaram o ensino
fundamental e seis não atingiram essa etapa educativa. Para finalizar, 4
candidatos (as) declararam apenas saber ler e escrever.
As leituras possíveis diante
desses dados são inúmeras. Cada um de nós pode fazê-las como, se e da forma que
quiser. Eu, em quatro breves parágrafos, a partir do meu lugar social de fala,
peço licença a você leitor para fazer algumas.
A maioria dos eleitores da cidade
são mulheres (51%). As candidaturas não correspondem a esse numerário e quando
as urnas forem abertas é bem possível que os homens ainda sejam maioria na
Câmara municipal.
Numa cidade cuja mestiçagem
história começou ainda quando o Ceará tinha apenas os caminhos das boiadas,
nenhum candidato (a) se reconheceu como negro (a).
A maior parcela do eleitorado (49,32%)
está abaixo de 39 anos, sendo que a maioria dos eleitores concentra-se na faixa
dos 30 a 34 anos. Como se dá a identificação dos jovens da cidade com a maioria
de candidatos pertencendo a uma geração diferente?
Por fim, o mais interessante pode
ser observado quando decidimos estudar o grau de instrução do eleitorado.
Apenas 321 eleitores da cidade de Jaguaruana têm nível superior completo.
Obviamente que esse não poderia ser o grau de instrução da maioria de nossos
eleitores (poderia sim...! sonho com isso), no entanto, se analisarmos o
restante dos dados veremos que 11.070 eleitores são analfabetos (3.692) ou
apenas declararam ler e escrever (7.378). Isso representa 39,14% dos votos
válidos do município, ou seja, quase metade de nossos eleitores. Se juntarmos a
esses números os (as) 6.916 eleitores (as) que declaram ter o ensino
fundamental incompleto essa percentagem sobe para incríveis 63,59% do
eleitorado.
Se você, querido (as) leitor (as)
chegou até aqui, deve ter ficado tão impressionado quanto eu diante desses
números. Resta-me apenas dizer uma única coisa: candidatos (as) (e agora
podemos incluir também os concorrentes majoritários, aqueles que disputam a
prefeitura), há muito o que fazer em nossa cidade. Eleitos (as) ou não, boa
sorte e mãos à obra.