Um blog recheado de textos interessantes que faço com todo carinho e estudo. São as mais mal traçadas linhas que podem ser escritas com dedicação! Uma viagem por textos simples, alegres, engraçados e sérios - se é que isto é possível!
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Cuidados com a pele masculina no verão
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
No dia 15 de novembro de 1889
Baile da Ilha Fiscal: o último da monarquia
Seis dias depois da festança, golpe derrubou dom Pedro II
por Érica Montenegro e Antonio Andrade
O vaivém dos convidados era constante. Eles desciam das barcas a vapor e eram recepcionados por moças fantasiadas de fadas e sereias. O tilintar das taças de bebida se misturava aos risos e à música. Nunca se havia visto no Brasil tanto luxo. Tudo havia sido planejado para tornar inesquecível o baile daIlha Fiscal, promovido por dom Pedro II no sábado, 9 de novembro de 1889. Aquela foi a última festado Império. Seis dias depois, o imperador seria deposto.
O evento, que reuniu mais de 2 000 pessoas, oficialmente homenageava o alto escalão do couraçado chileno Almirante Cochrane, ancorado no Rio de Janeiro havia duas semanas. Mas, na verdade, comemorava as bodas de prata da princesa Isabel e do conde D’Eu. Além disso, a intenção doimperador era provar que a monarquia seguia viva e forte – o que, aliás, estava longe de ser verdade.
Naquele novembro de 1889, enquanto as senhoras se preparavam para o rega-bofe, homens conspiravam em confeitarias. Durante a festa, o clima de rivalidade entre monarquistas e republicanos não se manifestou. Apesar do sucesso do baile, o imperador pouco se divertiu. Ficou sentado o tempo todo e foi embora à 1h da manhã, sem jantar. Forçado a deixar o país em 17 de novembro, morreu dois anos depois, em Paris.
A ilha da fantasia
Nunca houve tantoluxo no Brasil quanto nobaile da Ilha Fiscal
Bela vista do paraíso
Antes chamada Ilha dos Ratos (não se sabe se por conta da quantidade de roedores ou pelo formato das pedras ao seu redor), a Ilha Fiscal recebeu seu atual nome após ser transformada em posto de fiscalização de navios. O castelo, com 2 000 m2 em estilo neogótico, foi construído após uma visita de dom Pedro II à ilha – encantado com a vista, ele disse que ela era “como um delicado estojo, digno de uma brilhante jóia”. O baile foi o primeiro grande evento do palácio.
Caça aos convites
Originalmente, o baile seria em 19 de outubro, mas o rei de Portugal, dom Luiz, morreu, e seu sobrinho Pedro II mudou a data da festa. A distribuição dos 2 000 convites começou dia 4 de novembro. As roupas finas das lojas do Rio logo se esgotaram. Setenta e duas horas antes do baile já não havia vaga nos cabeleireiros. Muita mulher ficou três dias sem tomar banho e dormindo sentada para não desmanchar o penteado.
Tropeça mas não cai
Dom Pedro II chegou ao baile acompanhado da família real às 21h. O imperador trajava uma casaca preta folgada. A imperatriz Tereza Cristina e a princesa Isabel usavam vestidos pretos com rendas e vidrilhos. Quando entrava pelo tapete vermelho, o imperador tropeçou. Amparado por dois jornalistas, não chegou a cair. Espirituoso, teria dito: “A monarquia tropeçou, mas não caiu”.Luxo e lixo
A elite se esbaldavana festa, enquanto o povo olhava de longe
A gente não quer só comida
Na festança foram consumidos 188 caixas de vinho, 80 caixas de champanhe e 10 mil litros de cerveja, além de licores e destilados. Segundo o historiador Milton Teixeira, o dinheiro gasto no baile, 100 contos de réis, foi retirado pelo visconde de Ouro Preto, presidente do conselho de ministros, do ministério da Viação e Obras Públicas – ele estaria originalmente destinado a socorrer flagelados da seca no Ceará.
Pés-de-valsa
Duas bandas militares tocaram quadrilhas, valsas, polcas e marzurcas para os convidados, que dançaram em seis salões do castelo – a princesa Isabel foi uma das pés-de-valsa. Depois da esbórnia, às 6h da manhã, o pessoal da limpeza achou 37 lenços, 24 cartolas e chapéus, 8 raminhos de corpete, 3 coletes de senhoras e 17 ligas. De acordo com o historiador Milton Teixeira, da Escola Técnica de Turismo do Rio de Janeiro (ProTur), todas as fotos feitas na festa desapareceram.
Bufê exótico
Quarenta e oito cozinheiros trabalharam durante três dias inteiros para alimentar os convivas, servidos por 150 copeiros. O cardápio incluía peças inteiras de caça e pesca, além de uma infinidade de aves exóticas, inhambus, faisões e macucos. Cinco mesas em forma de ferradura foram colocadas no pátio atrás do palácio para servir o jantar. O ponto alto da ceia foram os doces – entre eles sorvete, uma novidade para a época.
Povão excluído
Chiques e famosos embarcavam em três vapores que saíam do cais Pharoux, na atual praça XV de Novembro, centro do Rio. Uma banda da polícia animava a noite do povão, que não pôde participar da festança. Lá tocavam fandangos e lundus, danças populares bem diferentes das valsas que animavam o castelo. Nas casas à beira-mar, a população se acotovelava para ver as luzes da ilha.
Xixi no balde
Como suas fontes de inspiração na França, o projeto do palacete da Ilha Fiscal não contava com banheiros. Os convidados tinham apenas poucos baldes de prata com areia dentro para fazer xixi. Quando a cerveja começou a fazer efeito, os homens não se apertaram e correram para a beira do mar. Já as dondocas tiveram de se ajeitar com baldes extras trazidos às pressas do continente nos cantos dos salões.
A ilha-luz
A Ilha Fiscal contava com um gerador de energia, instalado num barracão ao lado do palacete, que forneceu eletricidade para milhares de lâmpadas dentro e fora do edifício. Além das milhares de velas, balões e lanternas venezianas, os holofotes do couraçado chileno Almirante Cochrane e de outros navios da Marinha ancorados ali perto faziam com que a ilha fosse o lugar “mais iluminado do mundo”, como escreveram os jornais da época.E a República é proclamada
Militares armaramgolpe com apoio dosbarões do café
Enquanto a corte estava no pomposo rega-bofe, o tenente-coronel e professor de matemática Benjamin Constant encabeçava uma reunião conspiratória no Clube Militar. Ele era o líder da ala intelectualizada do Exército, os “científicos”, grupo que contrastava com o dos militares de carreira mais velhos, os “tarimbeiros”, ao qual pertencia o marechal Deodoro da Fonseca. Ambos estavam unidos num ressentimento contra o poder público, que deixara o Exército numa situação de penúria. Na reunião, decidiu-se pelo golpe militar, que veio em 15 de novembro de 1889. Entre os fatores importantes para seu sucesso estava o apoio da oligarquia cafeeira paulista. A Igreja Católica, descontente com a influência da maçonaria, ajudou a enfraquecer a imagem do imperador. O golpe ainda solucionou um debate antigo, que voltou à tona após um atentado a tiros sofrido peloimperador em 16 de julho de 1889: se Pedro II morresse, o trono ficaria à deriva – a princesa Isabel era impopular entre a elite e o conde D`Eu, estrangeiro. De acordo com Renato Lemos, professor deHistória na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ainda na noite do dia 9, após a reunião conspiratória, Constant chegou a tomar um barco para a Ilha Fiscal com a família, que queria ver o baile. Mas eles não desembarcaram porque estavam sem convites.
Saiba mais
Benjamin Constant – Vida e História, Renato Lemos, Topbooks, 1999 - Salões e Damas do Segundo Reinado, Wanderley Pinho, Martins Fontes Editora, 1968Baile da Ilha Fiscal: o último da monarquia
Seis dias depois da festança, golpe derrubou dom Pedro II
por Érica Montenegro e Antonio Andrade
O vaivém dos convidados era constante. Eles desciam das barcas a vapor e eram recepcionados por moças fantasiadas de fadas e sereias. O tilintar das taças de bebida se misturava aos risos e à música. Nunca se havia visto no Brasil tanto luxo. Tudo havia sido planejado para tornar inesquecível o baile daIlha Fiscal, promovido por dom Pedro II no sábado, 9 de novembro de 1889. Aquela foi a última festado Império. Seis dias depois, o imperador seria deposto.
O evento, que reuniu mais de 2 000 pessoas, oficialmente homenageava o alto escalão do couraçado chileno Almirante Cochrane, ancorado no Rio de Janeiro havia duas semanas. Mas, na verdade, comemorava as bodas de prata da princesa Isabel e do conde D’Eu. Além disso, a intenção doimperador era provar que a monarquia seguia viva e forte – o que, aliás, estava longe de ser verdade.
Naquele novembro de 1889, enquanto as senhoras se preparavam para o rega-bofe, homens conspiravam em confeitarias. Durante a festa, o clima de rivalidade entre monarquistas e republicanos não se manifestou. Apesar do sucesso do baile, o imperador pouco se divertiu. Ficou sentado o tempo todo e foi embora à 1h da manhã, sem jantar. Forçado a deixar o país em 17 de novembro, morreu dois anos depois, em Paris.
A ilha da fantasia
Nunca houve tantoluxo no Brasil quanto nobaile da Ilha Fiscal
Bela vista do paraíso
Antes chamada Ilha dos Ratos (não se sabe se por conta da quantidade de roedores ou pelo formato das pedras ao seu redor), a Ilha Fiscal recebeu seu atual nome após ser transformada em posto de fiscalização de navios. O castelo, com 2 000 m2 em estilo neogótico, foi construído após uma visita de dom Pedro II à ilha – encantado com a vista, ele disse que ela era “como um delicado estojo, digno de uma brilhante jóia”. O baile foi o primeiro grande evento do palácio.
Caça aos convites
Originalmente, o baile seria em 19 de outubro, mas o rei de Portugal, dom Luiz, morreu, e seu sobrinho Pedro II mudou a data da festa. A distribuição dos 2 000 convites começou dia 4 de novembro. As roupas finas das lojas do Rio logo se esgotaram. Setenta e duas horas antes do baile já não havia vaga nos cabeleireiros. Muita mulher ficou três dias sem tomar banho e dormindo sentada para não desmanchar o penteado.
Tropeça mas não cai
Dom Pedro II chegou ao baile acompanhado da família real às 21h. O imperador trajava uma casaca preta folgada. A imperatriz Tereza Cristina e a princesa Isabel usavam vestidos pretos com rendas e vidrilhos. Quando entrava pelo tapete vermelho, o imperador tropeçou. Amparado por dois jornalistas, não chegou a cair. Espirituoso, teria dito: “A monarquia tropeçou, mas não caiu”.
Luxo e lixo
A elite se esbaldavana festa, enquanto o povo olhava de longe
A gente não quer só comida
Na festança foram consumidos 188 caixas de vinho, 80 caixas de champanhe e 10 mil litros de cerveja, além de licores e destilados. Segundo o historiador Milton Teixeira, o dinheiro gasto no baile, 100 contos de réis, foi retirado pelo visconde de Ouro Preto, presidente do conselho de ministros, do ministério da Viação e Obras Públicas – ele estaria originalmente destinado a socorrer flagelados da seca no Ceará.
Pés-de-valsa
Duas bandas militares tocaram quadrilhas, valsas, polcas e marzurcas para os convidados, que dançaram em seis salões do castelo – a princesa Isabel foi uma das pés-de-valsa. Depois da esbórnia, às 6h da manhã, o pessoal da limpeza achou 37 lenços, 24 cartolas e chapéus, 8 raminhos de corpete, 3 coletes de senhoras e 17 ligas. De acordo com o historiador Milton Teixeira, da Escola Técnica de Turismo do Rio de Janeiro (ProTur), todas as fotos feitas na festa desapareceram.
Bufê exótico
Quarenta e oito cozinheiros trabalharam durante três dias inteiros para alimentar os convivas, servidos por 150 copeiros. O cardápio incluía peças inteiras de caça e pesca, além de uma infinidade de aves exóticas, inhambus, faisões e macucos. Cinco mesas em forma de ferradura foram colocadas no pátio atrás do palácio para servir o jantar. O ponto alto da ceia foram os doces – entre eles sorvete, uma novidade para a época.
Povão excluído
Chiques e famosos embarcavam em três vapores que saíam do cais Pharoux, na atual praça XV de Novembro, centro do Rio. Uma banda da polícia animava a noite do povão, que não pôde participar da festança. Lá tocavam fandangos e lundus, danças populares bem diferentes das valsas que animavam o castelo. Nas casas à beira-mar, a população se acotovelava para ver as luzes da ilha.
Xixi no balde
Como suas fontes de inspiração na França, o projeto do palacete da Ilha Fiscal não contava com banheiros. Os convidados tinham apenas poucos baldes de prata com areia dentro para fazer xixi. Quando a cerveja começou a fazer efeito, os homens não se apertaram e correram para a beira do mar. Já as dondocas tiveram de se ajeitar com baldes extras trazidos às pressas do continente nos cantos dos salões.
A ilha-luz
A Ilha Fiscal contava com um gerador de energia, instalado num barracão ao lado do palacete, que forneceu eletricidade para milhares de lâmpadas dentro e fora do edifício. Além das milhares de velas, balões e lanternas venezianas, os holofotes do couraçado chileno Almirante Cochrane e de outros navios da Marinha ancorados ali perto faziam com que a ilha fosse o lugar “mais iluminado do mundo”, como escreveram os jornais da época.
E a República é proclamada
Militares armaramgolpe com apoio dosbarões do café
Enquanto a corte estava no pomposo rega-bofe, o tenente-coronel e professor de matemática Benjamin Constant encabeçava uma reunião conspiratória no Clube Militar. Ele era o líder da ala intelectualizada do Exército, os “científicos”, grupo que contrastava com o dos militares de carreira mais velhos, os “tarimbeiros”, ao qual pertencia o marechal Deodoro da Fonseca. Ambos estavam unidos num ressentimento contra o poder público, que deixara o Exército numa situação de penúria. Na reunião, decidiu-se pelo golpe militar, que veio em 15 de novembro de 1889. Entre os fatores importantes para seu sucesso estava o apoio da oligarquia cafeeira paulista. A Igreja Católica, descontente com a influência da maçonaria, ajudou a enfraquecer a imagem do imperador. O golpe ainda solucionou um debate antigo, que voltou à tona após um atentado a tiros sofrido peloimperador em 16 de julho de 1889: se Pedro II morresse, o trono ficaria à deriva – a princesa Isabel era impopular entre a elite e o conde D`Eu, estrangeiro. De acordo com Renato Lemos, professor deHistória na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ainda na noite do dia 9, após a reunião conspiratória, Constant chegou a tomar um barco para a Ilha Fiscal com a família, que queria ver o baile. Mas eles não desembarcaram porque estavam sem convites.
Saiba mais
Benjamin Constant – Vida e História, Renato Lemos, Topbooks, 1999 - Salões e Damas do Segundo Reinado, Wanderley Pinho, Martins Fontes Editora, 1968sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Batman 3 pode ter mais de um vilão, diz Morgan Freeman

O ator Morgan Freeman, que viveu Lucius Fox em Batman Begins e Batman – O Cavaleiro das Trevas, deu pistas sobre a próxima aventura do Homem-Morcego.
"Não sei se a escolha do inimigo será feita por Christopher Nolan (diretor). Já houve conversas de ter o Charada, o Pinguim. Phillip Seymour Hoffman como o Pinguim e eu acho isso bem interessante. Então temos que esperar e ver. E pode haver mais de um (vilão), disse o astro em entevista à MTV.
Direção de Nolan
Freeman falou ainda sobre a confirmação de Nolan na direção, coisa que aconteceu oficialmente há alguns dias. “Nunca houve dúvida de ninguém com relação a isso depois de O Cavaleiro das Trevas. Sabíamos que a Warner iria diszer ‘Que seja! O que você quer? Desde que nos dê um terceiro filme", disse o ator.
Você encontra esta notícia em:
http://verdesmares.globo.com/v3/canais/noticias.asp?codigo=303484&modulo=469
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Senhoras e senhores, amanhã tem espetáculo!
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Repassando uma visão sobre o debate da Record
Na Record, DilmaXSerra lembrou o reality ‘A Fazenda’
Fotos: Alex Almeida/UOL e Nacho Doce/Reuters
O penúltimo debate presidencial começou atrasado. Quem sintonizou a Record na hora marcada, onze da noite, deu de cara com ‘A Fazenda’. Quem esperou talvez não tenha se dado conta, mas as diferenças entre um programa e outro foram sibilinas.
Dilma Rousseff e José Serra portaram-se como personagens do reality show que os precedeu, uma espécie de versão rural do Big Brother, da Globo. Confinados na campanha há quatro meses, como que anteciparam os movimentos um do outro.
A sequência de nove debates –serão dez até o final de semana— deixou-os calejados. Dizem que são sinceros. Mas quem os vê sente-se tentado a lançar mão de um jargão comum aos espetáculos do gênero: Eles estão jogando.
A isso foram resumidos os debates: um grande jogo, um realityeleitoral. Com uma diferença: em vez de entreter, o show aborrece a platéia. Os contendores recorreram a todos os estratagemas para atingir seus subterfúgios.
Procuraram não parecer o que são. Afinal, o outro pode não ser o que parece. Ou pior: pode ser e parecer. Em desvantagem no jogo, Serra lançou uma primeira casca de banana. Perguntou sobre os planos da rival para “banda larga”.
Sem pressentir que o alvo do contendor era outro, Dilma respondeu que a internet rápida já chegou a 65% das escolas. O acesso só não é maior porque São Paulo não aderiu ao programa, acusou.
Na réplica, Serra mostrou a garra: “O problema da candidata é de gestão”. Afirmou que o plano de banda larga, costurado na Casa Civil, é ruim. “Quem lançou o projeto mal feito foi a Erenice, que, aliás, hoje depôs na PF sobre seus malfeitos”.
Serra não queria falar de internet. Queria mesmo era devolver a “braço direito” de Dilma aos holofotes. O problema é que, a essa altura do jogo, a rival já desenvolveu antídotos contra o veneno. Para o Erenicegate, o remédio é o Dersagate.
“Hoje, a seis dias da eleição, de fato, a Erenice depôs. O que dizer de Paulo Preto, que não só não depõe, mas quando ele ameaça vocês escondem?” E Serra: “Esse assunto é fantasioso. Você fala para dar a ideia de que é todo mundo igual na política. Não é não!”
Como nas brigas travadas à beira da piscina da casa da Globo ou na roça da versão agreste da Record, Serra tratou de adensar a lama. Citou “um fulano chamado Valter Cardeal”, homem de “confiança” da antagonista no setor elétrico. “Deu vários golpes, mas a Dilma continua defendendo ele”.
Serra prosseguiu: “A Dilma foi testemunha de defesa do José Dirceu, apontado como chefe de quadrilha. Foi lá [no STF], como testemunha de defesa, fez uma fala carinhosa, empolgante sobre a moralidade do José Dirceu”.
Hora de Serra perguntar. Ele escolhe seu tema predileto: saúde. “Andou pra trás”, ele martela. “Qual a sua proposta... Não o trololó, proposta concreta”. Dilma assume o controle do balde de lodo:
“O Serra, presssionado, inventa trololó, gosta de enrolar. É importante que reponda pelo sr. Paulo Preto. É braço direito e esquerdo. Se duvidar, é a cabeça também”. A candidata torrou o seu tempo com o Dersagate.
Mencionou a flexibilização dos contratos que permitiu às empreiteiras usar material mais barato nas obras. Citou a queda de três vigas num viaduto do Rodoanel. “Um dos motivos dos motivos levantados é o uso de material de baixa qualidade”. Laudos técnicos afastaram a suspeita. Mas quem se importa? É o jogo.
Sem a participação de jornalistas, o debate não teve perguntas, mas pegadinhas. Tachado de privatista, Serra trouxe a vacina de casa. Acusam-no de defender para o pré-sal o modelo que concede às empresas multinacionais a exploração das jazidas.
“Se isso é privatização, a Dilma fez mais”, atacou. Como presidente do conselho de administração da estatal petroleira, disse Serra, “a Dilma entregou a exploração de petróleo a 108 empresas privadas, metade estrangeiras”.
E Dilma: “Você está fazendo, de novo, deliberada enrolação”. Descoberto o “bilhete premiado” do pré-sal, ela alegou, suspenderam-se os contratos e modificou-se o modelo. A coisa seguiu nessa diapasão até o final.
Dilma provocou: “Você ficou caladinho quando mudanram nome para Petrobrax, substituindo o Bras de Brasil”. Serra crispou-se: “A Dilma fala que minto, mas ela é profissional nessa arte”. Explicou que, sugerida por um direito, a troca de logomarca, foi recusada pelo governo FHC.
Em duas oportunidades, Dilma martelou: Sob Lula, criaram-se 15 milhoes de empregos, contra 5 milhões da era FHC. No debate anterior, Serra silenciara. Agora, já desenvolveu uma vacina que, se não imuniza, confunde.
Alegou: O que aumentou não foi o número de carteiras assinadas, mas a fiscalização. Graças, aliás, à unificação da Receita com a Previdência, apoiada pelo PSDB. As insinuações avolumaram-se. “Você não conhece o Nordeste”, disse Dilma a certa altura. “O PAC é uma lista de obras”, fustigou Serra noutro instante.
Acusaram-se um ao outro, várias vezes, de mentirosos. Serra: Você ora defende o aborto ora diz que é contra. Num instante diz que não vestirá o boné do MST, noutro leva o artefato à cabeça. Dilma queixou-se do baixo nível. E foi à canela. Em matéria de mentira, disse ela, Serra é imbatível.
Citou o documento que o oponente assinara, comprometendo-se a cumprir o mandato de prefeito de São Paulo até o final. “Registrou em cartório, depois rasgou”. Registro cartorial não há. Mas o papel, de fato, existe. Serra mudou de assunto.
Para desassossego dos telespectadores, ainda há um debate antes do paredão de domingo (31). Há um imenso leque de assuntos por discutir. Mas os candidatos não parecem dispostos a falar sério. Eles estão jogando... Lama um no outro.
Texto retirado de:
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL DE CULTURA UFC 2010
CONCHA ACÚSTICA – REITORIA (CAMPUS DO BENFICA)
Segunda-feira (18/10)
19h – Coral da UFC
19h30min – Desfile Curso Estilismo e Moda
20h – Syntagma (CE)
21h – Teresa Salgueiro (Portugal)
Terça-feira (19/10)
19h – Breculê (CE)
19h30min – Desfile Curso Estilismo e Moda
20h – Pantico Rocha (CE)
21h – Mayra Andrade (Cabo Verde)
CAMPUS DO PICI
Quarta-feira (20/10)
19h – Manassés, com participação de Marcos Lessa (CE)
20h – Chico César (PB)
21h30min – Os Malditos Rock Band (CE)
Quinta-feira (21/10)
19h – Unidos da Cachorra (CE)
20h – Groovytown (CE)
21h30min – Mart’nália (RJ)
Sexta-feira (22/10)
19h – Marajazz (CE)
20h – Céu (SP)
21h30min – Otto (PE)